Read Os Pássaros de Seda by Rosa Lobato de Faria Online

os-pssaros-de-seda

Graças à qualidade eterna do carácter de minha mãe e ao consequente travão que ela pôs à entrada do "progresso" naquela casa, a Pedra Moura guardou para sempre a sua transcedência de lugar mágico.O reino dos contos de fadas e dos autos de Natal, o mundo dos antigos aromas e sabores, o sítio da infância, o refúgio ideal para nascer e para morrer.Assim terminam as memórias dGraças à qualidade eterna do carácter de minha mãe e ao consequente travão que ela pôs à entrada do "progresso" naquela casa, a Pedra Moura guardou para sempre a sua transcedência de lugar mágico.O reino dos contos de fadas e dos autos de Natal, o mundo dos antigos aromas e sabores, o sítio da infância, o refúgio ideal para nascer e para morrer.Assim terminam as memórias de Mário, um dos protagonistas de Os Pássaros de Seda, um livro sobre a condição humana, que opõe os valores perenes da infância, do maravilhoso e do amor à precariedade das paixões e dos transes da fortuna.Um magnífico romance que, depois de O Pranto de Lúcifer, confirma a sua autora como uma presença incontornável no panorama da nova ficção portuguesa....

Title : Os Pássaros de Seda
Author :
Rating :
ISBN : 9789724117584
Format Type : Hardcover
Number of Pages : 203 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

Os Pássaros de Seda Reviews

  • Isabel Maia
    2019-04-14 22:53

    Em pleno Estado Novo, ter em casa uma colcha com um famoso Dê dourado era sinal de que se tratava de uma família com algumas posses. A sua autora era Diamantina Flores, uma jovem mulher que nasceu num meio pobre e que descobriu a sua vocação para os bordados em casa dos Tios Zebra e Margarida, para onde foi viver após a morte dos pais. Com o 25 de Abril, as colchas da Diamant. deixaram de ser apenas um luxo de vilas alentejanas e espalharam-se por Portugal e passaram fronteiras, chegando aos quatro cantos do Mundo onde existia um português. Diamantina conheceu, então, uma vida mais desafogada e ao mesmo tempo atribulada. Quem nos conta toda esta história é Mário, o primo e seu eterno apaixonado. Por brincadeira, tinha proposto a Diamantina escreverem a sua vida e depois entregar ao outro para que lesse. Mas Mário conta no fim das suas memórias que “escrevi a história da tua vida porque, que novidade, a minha vida és tu.”Terminar um livro de Rosa Lobato de Faria, autora que primava por escrever sobre mulheres marcantes, tão perto do Dia da Mulher é pura coincidência. Esta faceta da saudosa “Rosinha”, a das mulheres fortes, determinadas, que não têm medo de viver, agrada-me muito. Coloca-a num patamar muito próximo de Isabel Allende. Falando da personagem Diamantina, é daquelas mesmo muito completas e fascinantes. Lobato de Faria explora vários tipos de sentimentos, faz a personagem balançar entre a fraqueza e a força, leva-a numa viagem atribulada que vai do céu ao inferno. No que diz respeito à escrita, a autora aposta num registo muito sensorial. As descrições, por exemplo, da cor das searas de trigo, das panelas de marmelada a ferverem lentamente ao lume ou a imagem das ceifeiras a cantarem enquanto colhem o trigo dão ao livro um ambiente mágico. Magia essa que se alia perfeitamente ao misticismo que encontramos ao longo de todo o enredo, presente nas várias lendas, mitos e histórias contados à lareira pelo Tio Zebra. No fundo, um livro que, para mim, nunca se perderá nas brumas do tempo.

  • Maria
    2019-04-10 21:52

    Este é um dos casos em que vale a pena fazer um esforço para passar das primeiras páginas, nas quais algumas das personagens nos são apresentadas de uma forma algo confusa; contudo, com o decorrer da narrativa, o estilo adoptado pela autora torna-se familiar e o leitor pode começar a apreciar o livro. Mais um bom livro de Rosa Lobato de Faria, convenhamos, rico em histórias dentro da narrativa principal, verdadeiras fábulas e parábolas que nos fazem pensar - a nós e às próprias personagens.

  • Ana Paula
    2019-03-31 19:01

    Ainda que me satisfaça muito, não atingiu os níveis dos anteriores que li da autora.Destaco no início a imagem da miséria psicológica e humana e que me é revoltante, de um país que já existiu (espero que já não exista): “É bem certo que as mulheres se querem boas e burras, mas tu exageras de burra e careces de boa. Ah é? Faço tudo o que você quer na cama, não pense que gosto, mas é para agradar, nunca reclamei de nada. Pois é disso que eu me queixo. Pões-te para ali meia morta, às vezes até vou olhar para ver se estás a fazer malha ou a telefonar à Teresinha, não sentes, não gozas, depois admiras-te. Ah, confessa! Então diga lá. O filho da Margarida é seu? Toda a gente diz que sim. E eu lá me lembro se me pus na Margarida, na Francisca, na Conegundes? Põe-te no teu lugar, mulher, não dês ouvidos a mexericos. E manda a criatura embora, que eu não quero esses falatórios aqui em casa. Pois, Bertinho, eu também acho melhor. E você é muito injusto quando diz que eu sou desligada na hora de… daquilo. Até houve uma vez, antes do Simão nascer, que eu acho que senti uma impressãozinha” (p. 23).Eu gostaria que não fosse, por vezes, tão alucinante, num rodopio de histórias e pequenas histórias (uma ou duas sem sentido) sem o aprofundamento que me teria feito sentido.Começa num ambiente bucólico, repleto de poesia. Termina, parece, depois do tempo – parece que se prolonga desnecessariamente mas depois descobre-se que afinal faz sentido que assim seja e acaba com uma mensagem de esperança.

  • Isabel
    2019-04-12 21:10

    Diamantina menina pobre e simples com mãos de fada para os bordados.Desse seu dote de bordadeira vem o nome do livro. De cabeça, ela borda pássaros de seda nas mais maravilhosas colchas. Com a assinatura bordada a dourado D. As historias do tio Zebra, contadas à lareira ou debaixo das arvores são magicas e maravilhosas.Estou a ler pela segunda vez. Grande escritora, contadora de historias - Rosa Lobato De Faria.

  • Bárbara
    2019-04-16 15:12

    A minha opinião no blog Cozinha das Letras - http://cozinha-das-letras.blogspot.pt...